Economia

O mar de desafios e oportunidades da economia azul

 

O Homem deu as costas aos oceanos e a consequência disso é a exploração insustentável de boa parte da superfície da Terra, chamado de Planeta Azul justamente por ter 71% da superfície coberta por água salgada.

No Dia Mundial do Mar, especialistas, autoridades governamentais e ambientalistas reunidos no 10º Greenfest, maior evento dedicado à sustentabilidade em Portugal, defenderam o desenvolvimento de uma nova economia baseada na exploração econômica sustentável dos oceanos, com o investimento em educação, tecnologia marítima e novos negócios.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a economia dos oceanos movimenta por ano entre três e seis trilhões de dólares em todo o mundo e sustenta três bilhões de pessoas, mas a contribuição para a riqueza mundial é de apenas 5% do PIB global, com amplo espaço para expansão.

Entram aí os negócios sustentáveis, principalmente nos setores de alimentação, geração de energia e transporte de mercadorias, gerando riqueza integrada à chamada economia de baixo carbono.

“Nós vamos ter de pensar de que forma o mar pode servir de alternativa para setores econômicos que, em vez de contribuírem para a carbonização das nossas economias e das nossas sociedades, contribuam para a sua descarbonização”, disse Tiago Pitta e Cunha, presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul.

AQUECIMENTO GLOBAL E AUMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL EXIGEM EMBARQUE IMEDIATO

Na alimentação, por exemplo, espera-se uma explosão na demanda de proteína até a metade do século, quando, segundo os organismos internacionais, a população global deverá chegar a 10 bilhões de habitantes.

Os mares podem atender a essa demanda com proteína animal e vegetal a partir de peixes e algas e substituir a pecuária, uma das maiores fontes de gases de efeito estufa.

No caso dos transportes, 90% das mercadorias comercializadas no mundo são deslocadas via mar, com navios movidos a combustíveis fósseis.

Trocá-los por embarcações menos poluentes é fundamental para combater o aquecimento global, o que vai exigir mudanças na indústria da construção naval e desenvolvimento de novas tecnologias.

Já na área da energia, a revolução está sendo feita pelas usinas eólicas instaladas em alto mar, com grande potencial de geração.

As usinas offshore produzem apenas 14 GW por ano, quantidade suficiente para o abastecimento anual de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, mas há muito espaço para instalação de novos parques e para desenvolvimento de tecnologias mais eficientes.

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO VOLTA PARA A ECONOMIA AZUL

No momento, a educação é o principal instrumento para aqueles que acreditam no potencial da economia azul, pois é necessário fazer com que o cidadão comum entenda a importância dos oceanos para a vida na Terra e deixe de poluir.

Estima-se que em 2025, haverá nos mares uma tonelada de plástico por cada três toneladas de peixe, caso a população mundial não mude de comportamento.

O modelo de pesca em boa parte do globo também é predatório e a previsão é de que em 2030 cerca de 90% dos corais de todo o mundo estarão sob ameaça de extinção.

Além de educar a população, é preciso conscientizar economistas e gestores para a importância e as oportunidades econômicas de setor, com ações junto às escolas de economia e gestão e junto à administração de topo das empresas.

Como Brasil e Portugal podem aproveitar essa mudança nos ventos? Veja no vídeo abaixo a opinião de Tiago Pitta e Cunha, presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul.

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